MODELO DE AÇÃO PARA RESTABELECIMENTO DO BENEFÍCIO AUXÍLIO

MODELO DE AÇÃO PARA RESTABELECIMENTO DO BENEFÍCIO AUXÍLIO

Modelo de ação para restabelecimento do benefício auxílio-acidente.
EX­MO. (A) SR. (A) DR. (A) ­JUIZ (A) FE­DE­RAL DA
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_____, bra­si­lei­ro, apo­sen­ta­do, por­ta­dor da Cédula de Identidade nº ______, ins­cri­to no CPF sob o nº ___________, re­si­den­te na Rua _______, Comarca de _____ , por seu ad­vo­ga­do que es­ta subs­cre­ve, vem, mui res­pei­to­sa­men­te, à pre­sen­ça de V. Exa. pa­ra pro­por a pre­sen­te
 
 
 
Ação pre­vi­den­ciá­ria com pe­di­do de tu­te­la an­te­ci­pa­da
 
 
 
em fa­ce de o Instituto Nacional de Seguro Social – INSS, Autarquia Federal, com superintendência regional na ci­da­de de São Paulo, com en­de­re­ço na Rua Xavier de Toledo, nº 280, 13º andar, Centro, São Paulo–SP, CEP: 01048-000, pe­los mo­ti­vos de fa­to e de di­rei­to a se­guir ex­pos­tos.
 
 
I – DOS FA­TOS
 
 
A autora so­freu aci­den­te de tra­ba­lho na em­pre­sa ______________, no ano de 1987, e des­de a épo­ca vi­nha re­ce­ben­do o seu be­ne­fí­cio auxílio-acidente con­for­me de­mons­tra a Carta de Concessão e ex­tra­to de pa­ga­men­tos.
 
Em 2002, por oca­sião de ha­ver com­ple­ta­do 60 ­anos, re­que­reu a con­ces­são do be­ne­fí­cio aposentadoria por idade, ao ­qual ­traz em ane­xo tam­bém a Carta de Concessão e ex­tra­to de pa­ga­men­tos.
 
Contudo, o Instituto-réu, pos­te­rior­men­te à con­ces­são des­te be­ne­fí­cio, can­ce­lou seu auxílio-acidente ale­gan­do a im­pos­si­bi­li­da­de na cu­mu­la­ção dos ­dois.
 
Inconformada com a ale­ga­ção, e sen­do a autora pes­soa ido­sa e com seu qua­dro clí­ni­co agra­va­do de­vi­do a uma sé­rie de pro­ble­mas de saú­de, vem a juízo re­que­rer o res­ta­be­le­ci­men­to de seu ou­tro be­ne­fí­cio, que em na­da tem a ver com a sua aposentadoria, por se­rem fa­tos ge­ra­do­res di­fe­ren­tes.
 
 
II – DOS FUN­DA­MEN­TOS
 
 
Primeiramente, im­por­tan­te des­ta­car, que o Instituto Nacional do Seguro Social – ­INSS, Au­tar­quia Fe­de­ral, tem sob sua ad­mi­nis­tra­ção ti­pos de be­ne­fí­cios dis­tin­tos e que, va­len­do-se do fa­to de se­rem re­gi­dos pe­la mes­ma lei e con­te­rem al­guns pon­tos ín­fi­mos de con­ver­gên­cia, tem ob­ti­do êxi­to em in­se­rir dú­vi­das a al­guns quan­to a di­fe­ren­ciar um do ou­tro.
 
Também vá­li­do de­mons­trar que as di­fe­ren­ças são ní­ti­das en­tre es­tes ­dois ti­pos de be­ne­fí­cios (au­xí­lio-aci­den­te e apo­sen­ta­do­ria por ida­de) e es­tão pre­sen­tes já na Constituição federal, não per­mi­tin­do a con­ta­mi­na­ção de um pe­lo ou­tro, e que a obri­ga­to­rie­da­de da con­tri­bui­ção pe­lo em­pre­ga­do (pa­ra ­fins pre­vi­den­ciá­rios) e pe­lo em­pre­ga­dor (pa­ra com­ple­men­tar o be­ne­fí­cio pre­vi­den­ciá­rio do seu em­pre­ga­do e pa­gar o se­gu­ro de aci­den­tes) tem ­fins es­pe­cí­fi­cos e per­fei­ta­men­te ca­rac­te­ri­za­dos na Lei 8.212/91, as­sim co­mo es­tão cla­ra­men­te iden­ti­fi­ca­dos os be­ne­fi­ciá­rios pre­vi­den­ciá­rios e os aci­den­tá­rios e os pos­sí­veis be­ne­fí­cios de ca­da um na Lei 8.213/93.
 
Não se con­fun­de in­de­ni­za­ção aci­den­tá­ria com be­ne­fí­cios pre­vi­den­ciá­rios por­que am­bos pos­suem fon­tes de cus­teio dis­tin­tos, não obs­tan­te es­te­jam pre­vis­tos na mes­ma lei, a ­atual Lei 8.213/91, bas­tan­te al­te­ra­da até o mo­men­to. Para em­ba­sar es­sa as­ser­ti­va, bas­ta ve­ri­fi­car a Lei 8.212/91 que a com­ple­men­ta, ­pois é nes­ta que são en­con­tra­das as alí­quo­tas de re­co­lhi­men­to da con­tri­bui­ção pa­ra ­fins pre­vi­den­ciá­rios e pa­ra ­fins de se­gu­ro aci­den­tá­rio e es­pe­ci­fi­ca ­quem se­jam os con­tri­buin­tes de ca­da be­ne­fí­cio, ao pas­so que na pri­mei­ra es­tão iden­ti­fi­ca­dos os be­ne­fi­ciá­rios, ti­pos de be­ne­fí­cios e hi­pó­te­ses em que de­vem ser pa­gos.
 
Art. 201
……………………….
§ 1º Qualquer pes­soa po­de­rá par­ti­ci­par dos be­ne­fí­cios da Pre­vi­dên­cia So­cial, me­dian­te con­tri­bui­ção, na for­ma dos pla­nos pre­vi­den­ciá­rios.
 
Este dis­po­si­ti­vo per­mi­te a par­ti­ci­pa­ção de qual­quer um na Pre­vi­dên­cia So­cial (pú­bli­ca, ofi­cial), mes­mo que não se­ja obri­ga­do por lei, bas­tan­do efe­tuar re­co­lhi­men­to pa­ra tal fim, por­tan­to, é um di­rei­to à par­te, di­fe­ren­te da in­de­ni­za­ção por aci­den­te de tra­ba­lho.
 
Ora, co­mo aci­ma es­cla­re­ci­do, o se­gu­ro de aci­den­tes do tra­ba­lho vi­sa à me­lho­ria da con­di­ção so­cial do tra­ba­lha­dor; por­tan­to, é ób­vio que, em se en­con­tran­do in­ca­pa­ci­ta­do pa­ra o la­bor em ra­zão de aci­den­te so­fri­do co­mo de­cor­ren­te do tra­ba­lho, não de­ve­rá ter ­suas con­di­ções eco­nô­mi­co-fi­nan­cei­ras pre­ju­di­ca­das, mas sim pre­ser­va­das, prin­ci­pal­men­te con­si­de­ran­do-se que nes­ta si­tua­ção é que te­rá maio­res des­pe­sas de ma­nu­ten­ção, co­mo pe­las des­pe­sas adi­cio­nais na aqui­si­ção de me­di­ca­men­tos e tra­ta­men­tos.
 
No ca­so de se­gu­ro de aci­den­te do tra­ba­lho, o que se pa­ga é in­de­ni­za­ção e não be­ne­fí­cio pre­vi­den­ciá­rio, afi­nal, são cus­teios di­fe­ren­tes pa­ra di­rei­tos dis­tin­tos, ou se­ja, pa­ra ca­da de­ver cor­res­pon­de o equi­va­len­te di­rei­to, não de­ven­do mes­clar de­ve­res com di­rei­tos ou­tros que não dos pri­mei­ros oriun­dos.
 
Portanto, exis­te, efe­ti­va­men­te, uma dis­tân­cia mui­to gran­de en­tre o be­ne­fí­cio pre­vi­den­ciá­rio e o aci­den­tá­rio que de­sau­to­ri­za se en­ten­da es­te co­mo com­ple­men­tar da­que­le só pe­lo fa­to de es­ta­rem sob guar­da da mes­ma Instituição.
 
Aliás, se­ria in­te­res­san­te que hou­ves­se con­tas dis­tin­tas pa­ra ca­da ti­po ori­gem da con­tri­bui­ção, ­pois só es­sa se­pa­ra­ção de­mons­tra­ria, por nú­me­ros e nu­me­rá­rios, e sem que ha­ja des­vio pa­ra fi­na­li­da­des ou­tras que não as eri­gi­das pe­la lei.
 
Este ra­cio­cí­nio já se so­bres­saía em 1989 quan­do, ana­li­san­do o art. 7º, ­XXVIII, da Constituição fede­ral, o ilus­tre Humberto Theodoro Júnior, em sua ­obra Responsabilidade civil, Editora AI­DE, 1989, p. 20, es­cla­re­ceu que:
 
Passou o cus­teio do se­gu­ro de aci­den­tes do tra­ba­lho pa­ra a ex­clu­si­va res­pon­sa­bi­li­da­de do em­pre­ga­dor, pe­lo que o ­INPS não ­mais po­de re­ti­rar re­cur­sos do cai­xa ge­ral pa­ra in­de­ni­za­ção aci­den­tá­ria. Terá de ser for­ma­da uma con­ta ex­clu­si­va pa­ra es­se fim, a ­qual se­rá ali­men­ta­da tão-so­men­te por con­tri­bui­ções pa­tro­nais. As con­tri­bui­ções dos em­pre­ga­dos à Previdência Social não de­ve­rão, do­ro­van­te, ser com­pro­me­ti­das com os gas­tos da co­ber­tu­ra aci­den­tá­ria.
 
Neste pri­mei­ro pon­to, foi exaus­ti­va­men­te de­mons­tra­do que o be­ne­fí­cio auxílio-acidente e o be­ne­fí­cio aposentadoria por idade são dis­tin­tos, con­ten­do fa­tos ge­ra­do­res tam­bém di­fe­ren­tes.
 
Um de­les é cau­sa­do por um acidente de trabalho ao ­qual de­ve-se re­pa­rar e in­de­ni­zar, fa­to que é cau­sa­dor de de­ter­mi­na­da in­ca­pa­ci­da­de pa­ra o la­bor em sua pro­fis­são. O ou­tro é pro­ve­nien­te de con­tri­bui­ções ver­ti­das, em vir­tu­de do tra­ba­lho, pa­ra ob­ten­ção de um se­gu­ro so­cial que é o be­ne­fí­cio.
 
Contudo, ape­sar de cla­ra­men­te se­rem dis­tin­tos os be­ne­fí­cios, o le­gis­la­dor ao edi­tar a Lei 9.528, de 10 de de­zem­bro de 1997, al­te­rou o ar­ti­go 86, e em seu § 1º de­ter­mi­na:
 
O au­xí­lio-aci­den­te men­sal cor­res­pon­de­rá a 50% (cin­qüen­ta por cen­to) do salário de benefício e se­rá de­vi­do, ob­ser­va­do o dis­pos­to no § 5º, até a vés­pe­ra do iní­cio de qual­quer apo­sen­ta­do­ria ou até a da­ta do óbi­to do se­gu­ra­do.
 
Desta for­ma, a par­tir da vi­gên­cia da lei, qual­quer se­gu­ra­do, que es­te­ja re­ce­ben­do o au­xí­lio-aci­den­te e ve­nha a re­que­rer o be­ne­fí­cio de apo­sen­ta­do­ria, per­de­rá o di­rei­to ao aci­den­tá­rio.
 
Porém, não foi es­se o en­ten­di­men­to do ­INSS, que vem can­ce­lan­do os be­ne­fí­cios aci­den­tá­rios de ­seus se­gu­ra­dos, mes­mo aque­les con­ce­di­dos an­te­rior­men­te à pre­vi­são le­gal.
 
É o ca­so da autora, que ob­te­ve o be­ne­fí­cio aci­den­tá­rio em 1987 e quan­do da con­ces­são de sua apo­sen­ta­do­ria por ida­de, te­ve can­ce­la­do o seu auxílio-acidente.
 
Desse mo­do, pa­ra se de­ci­dir a pos­si­bi­li­da­de de cu­mu­la­ção do au­xí­lio-aci­den­te com a apo­sen­ta­do­ria, em fa­ce do ad­ven­to da Lei nº 9.528/97, de­ve-se le­var em con­si­de­ra­ção a lei vi­gen­te ao tem­po do aci­den­te pro­du­tor da in­ca­pa­ci­da­de pa­ra o tra­ba­lho, in­ci­din­do, co­mo in­ci­de, nas hi­pó­te­ses de doen­ça pro­fis­sio­nal ou do tra­ba­lho, a nor­ma in­ser­ta no ar­ti­go 23 da Lei nº 8.213/91.
 
Além dis­so, e pa­ra não fa­lar na di­ver­si­da­de das fon­tes de cus­teio já ci­ta­da an­te­rior­men­te e da na­tu­re­za dis­tin­ta en­tre apo­sen­ta­do­ria e au­xí­lio-aci­den­te, o cer­to é que a proi­bi­ção re­fe­re-se à cu­mu­la­ção.
 
Ora, cu­mu­la­ção pres­su­põe, por si mes­ma, a ­idéia de du­pli­ci­da­de de be­ne­fí­cios, o que com ra­ra ex­ce­ção, sem­pre se ad­mi­tiu.
 
Proibindo, as­sim, a du­pli­ci­da­de, a re­gra no­va só ope­ra­rá se os fa­tos ge­ra­do­res de am­bos os be­ne­fí­cios lhe fo­rem pos­te­rior, ­quer di­zer, se am­bos os be­ne­fí­cios re­por­tam-se a mo­men­tos aqui­si­ti­vos de 12 de no­vem­bro de 1997 em dian­te.
 
Isto sig­ni­fi­ca que, se pe­lo me­nos um dos be­ne­fí­cios re­sul­tar de si­tua­ção an­te­rior àque­la da­ta, não ha­ve­rá ve­da­ção ao re­ce­bi­men­to de am­bos.
 
É que, até en­tão, a cu­mu­la­ção e a du­pli­ci­da­de de be­ne­fí­cios ­eram ad­mi­ti­das (cf. a re­da­ção ori­gi­ná­ria do § 3º, do ar­ti­go 86, da Lei nº 8.213/91).
 
No ca­so da autora, o au­xí­lio-aci­den­te da­ta de 1987 e an­te­ce­de a re­gra no­va e proi­bi­ti­va, que, ­pois, não tem per­ti­nên­cia.
 
Segue que na­da obs­ta à even­tual per­cep­ção si­mul­tâ­nea de ­dois be­ne­fí­cios, um aci­den­tá­rio e ou­tro pre­vi­den­ciá­rio.
 
Confira-se, a pro­pó­si­to,as se­guin­tes de­ci­sões:
 
 
Processo
­RESP 416986/RJ; RE­CUR­SO ES­PE­CIAL
2002/0023485-3
Relator(a)
Ministro JOR­GE SCAR­TEZ­ZI­NI (1113)
Órgão Julgador
T5 – Quinta Turma
Data do Julgamento
26/11/2002
Data da publicação/fonte
DJ 3.2.2003, p. 345
RST, vol. 169, p. 97
Ementa
­PREVIDENCIÁRIO – CU­MU­LA­ÇÃO DE ­BENEFÍCIOS – APO­SEN­TA­DO­RIA POR
TEM­PO DE SER­VI­ÇO E ­AUXÍLIO-ACI­DEN­TE – FA­TO GE­RA­DOR OCOR­RI­DO
AN­TE­RIOR­MEN­TE À LEI 9.258/97 – IR­RE­TROA­TI­VI­DA­DE DA LEI – APLI­CA­ÇÃO
DA LEI 6.367/76 – CON­CES­SÃO DO ­BENEFÍCIO – ­DIVERGÊNCIA
JU­RIS­PRU­DEN­CIAL NÃO COM­PRO­VA­DA.
– Considerando-se que a apo­sen­ta­do­ria do se­gu­ra­do ocor­reu em 11.10.91 e ana­li­san­do-se a pos­si­bi­li­da­de de cu­mu­la­ção do au­xí­lio-aci­den­te com o be­ne­fí­cio de apo­sen­ta­do­ria, em fa­ce ao ad­ven­to da Lei 9.528/97, de­ve-se le­var em con­si­de­ra­ção a lei vi­gen­te ao tem­po do aci­den­te, fa­to ge­ra­dor do be­ne­fí­cio plei­tea­do.
– Inexistindo nos au­tos qual­quer no­tí­cia da da­ta do iní­cio da in­ca­pa­ci­da­de la­bo­ra­ti­va, ou do dia da se­gre­ga­ção com­pul­só­ria, im­põe-se a fi­xa­ção do dia do aci­den­te, na da­ta em que foi rea­li­za­do o diag­nós­ti­co, as­sim con­si­de­ra­da a da­ta da jun­ta­da do lau­do pe­ri­cial em juí­zo, ou se­ja, em 5.2.85 (fl. 22).
– Em se tra­tan­do de fa­tos ocor­ri­dos mui­to an­te­rior­men­te à pu­bli­ca­ção da re­tromen­cio­na­da lei mo­di­fi­ca­do­ra, nº 9.528/97, não há que fa­lar em im­pos­si­bi­li­da­de de cu­mu­la­ção dos be­ne­fí­cios, de­ven­do apli­car-se ao ca­so a Lei nº 6.367/76, re­gu­la­men­ta­da pe­lo Decreto 79.037/76, na qual não era pre­vis­ta a ve­da­ção da acu­mu­la­ção dos be­ne­fí­cios ora re­que­ri­dos.
– No que se re­fe­re à alí­nea c, pa­ra com­pro­va­ção e apre­cia­ção do dis­sí­dio ju­ris­pru­den­cial, con­soan­te o art. 255 e ­seus pa­rá­gra­fos, do RISTJ, de­vem ser men­cio­na­das e ex­pos­tas as cir­cuns­tân­cias que iden­ti­fi­cam ou as­se­me­lham os ca­sos con­fron­ta­dos, bem co­mo apre­sen­ta­das có­pias in­te­grais de ­tais jul­ga­dos. Como is­to não ocor­reu, im­pos­sí­vel, sob es­te pris­ma, co­nhe­cer da di­ver­gên­cia ju­ris­pru­den­cial aven­ta­da.
– Recurso par­cial­men­te co­nhe­ci­do e nes­te as­pec­to pro­vi­do.
 
 
Processo
­RESP 512875 / TO; RE­CUR­SO ES­PE­CIAL
2003/0033443-6
Relator(a)
Ministro HA­MIL­TON CAR­VA­LHI­DO (1112)
Órgão Julgador
T6 – Sexta Turma
Data do Julgamento
23/9/2003
Data da publicação/fonte
DJ 3.11.2003, p. 354
Ementa
RE­CUR­SO ES­PE­CIAL – PRO­CES­SUAL CI­VIL – VIO­LA­ÇÃO DO AR­TI­GO 535 DO CPC – ­INOCORRÊNCIA – ­PREVIDENCIÁRIO – APO­SEN­TA­DO­RIA E ­AUXÍLIO-ACI­DEN­TE – CU­MU­LA­ÇÃO – DE­FI­NI­ÇÃO DA LEI ­APLICÁVEL – DA­TA DO ACI­DEN­TE.
1. A ju­ris­pru­dên­cia des­te Superior Tribunal de Justiça con­so­li­dou já en­ten­di­men­to se­gun­do o ­qual de­ve a par­te vin­cu­lar a in­ter­po­si­ção do re­cur­so es­pe­cial à vio­la­ção do ar­ti­go 535 do Código de Processo Civil, quan­do, mes­mo ­após a opo­si­ção de em­bar­gos de­cla­ra­tó­rios, o Tri­bu­nal a quo per­sis­te em não de­ci­dir ques­tões que lhe fo­ram sub­me­ti­das a jul­ga­men­to, por for­ça do prin­cí­pio tan­tum de­vo­lu­tum quan­tum ap­pel­la­tum ou, ain­da, quan­do per­sis­ta des­co­nhe­cen­do obs­cu­ri­da­de ou con­tra­di­ção ar­güi­das co­mo exis­ten­tes no de­ci­sum.
2. Tendo o Tribunal a quo de­ci­di­do a ques­tão da cu­mu­la­ção de apo­sen­ta­do­ria com au­xí­lio-aci­den­te, não há fa­lar em qual­quer omis­são a ser su­pri­da em se­de de em­bar­gos de­cla­ra­tó­rios.
3. 1. Na con­ces­são do be­ne­fí­cio pre­vi­den­ciá­rio, a lei a ser ob­ser­va­da é a vi­gen­te ao tem­po do fa­to que lhe de­ter­mi­nou a in­ci­dên­cia, da ­qual de­cor­reu a sua ju­ri­di­ci­za­ção e con­se­qüen­te pro­du­ção do di­rei­to sub­je­ti­vo à per­cep­ção do be­ne­fí­cio. Precedentes da 3ª Seção.
2. Para se de­ci­dir a pos­si­bi­li­da­de de cu­mu­la­ção do au­xí­lio-aci­den­te com a apo­sen­ta­do­ria, em fa­ce do ad­ven­to da Lei 9.528/97, de­ve-se le­var em con­si­de­ra­ção a lei vi­gen­te ao tem­po do aci­den­te pro­du­tor da in­ca­pa­ci­da­de pa­ra o tra­ba­lho, in­ci­din­do, co­mo in­ci­de, nas hi­pó­te­ses de doen­ça pro­fis­sio­nal ou do tra­ba­lho, a nor­ma in­ser­ta no ar­ti­go 23 da Lei 8.213/91.
3. Em ha­ven­do o acór­dão em­bar­ga­do re­co­nhe­ci­do que o tem­po do aci­den­te cau­sa da in­ca­pa­ci­da­de pa­ra o tra­ba­lho é an­te­rior à vi­gên­cia da Lei nº 9.528/97, é de se re­co­nhe­cer a pos­si­bi­li­da­de da cu­mu­la­ção do au­xí­lio-aci­den­te com a apo­sen­ta­do­ria, in­ci­din­do a Lei nº 8.213/91 na sua re­da­ção ori­gi­nal, por for­ça do prin­cí­pio tem­pus re­git ac­tum.
4. Incidência ana­ló­gi­ca da Súmula nº 359 do STF e orien­ta­ção ado­ta­da pe­la 3ª Seção nas hi­pó­te­ses de pen­são por mor­te de­vi­da a me­nor de­sig­na­do, an­tes do ad­ven­to da Lei 9.032/95. (REsp 373.890/SP, da mi­nha Relatoria, DJ 24/6/2002).
4. Recurso im­pro­vi­do.
 
 
Isto pos­to, ve­ri­fi­ca­do que a da­ta do aci­den­te é an­te­rior à Lei mo­di­fi­ca­do­ra 9.528/97, a autora faz jus ao res­ta­be­le­ci­men­to do be­ne­fí­cio auxílio-acidente, bem co­mo o pa­ga­men­to de to­dos os va­lo­res an­te­rio­res à pro­po­si­tu­ra des­ta ­ação.
 
 
III – DA AN­TE­CI­PA­ÇÃO DOS EFEI­TOS DA TU­TE­LA
 
 
Com ful­cro no ar­ti­go 273, do CPC, re­quer a autora, a an­te­ci­pa­ção dos efei­tos da tu­te­la, ­pois de­mons­tra­do pri­mei­ro que, há o fun­da­do re­ceio de ocor­rên­cia de da­no ir­re­pa­rá­vel pe­lo não re­ce­bi­men­to des­de já, e an­tes da de­ci­são de­fi­ni­ti­va de mé­ri­to, do be­ne­fí­cio auxílio-acidente pe­la autora, de­vi­do à sua ida­de avan­ça­da e pe­las di­fi­cul­da­des fi­nan­cei­ras que atra­ves­sa. Temerário se­ria aguar­dar o jul­ga­men­to fi­nal da ­ação, ha­ja vis­to, ser no­tó­ria e pú­bli­ca a cons­tan­te e in­sis­ten­te prá­ti­ca do Ins­ti­tu­to-réu em pro­te­lar pa­ga­men­tos e con­ces­são de be­ne­fí­cios.
 
Também pro­va­da a ve­ros­si­mi­lhan­ça da ale­ga­ção pe­la autora, tra­zen­do aos au­tos to­dos os do­cu­men­tos que com­pro­vam a da­ta de con­ces­são do be­ne­fí­cio aci­den­tá­rio, ter­mo ini­cial pa­ra ve­ri­fi­ca­ção da in­ci­dên­cia ou não da Lei 9.528/97.
 
Da mes­ma for­ma, fi­ca de­mons­tra­do e ca­rac­te­ri­za­do o abu­so de di­rei­to, ou fu­mus bo­ni iu­ris, quan­to à pos­si­bi­li­da­de de cu­mu­la­ção dos ­dois be­ne­fí­cios, ­pois ne­ces­sá­rio que am­bos se­jam con­ce­di­dos ­após 10 de de­zem­bro de 1997 e não ape­nas um de­les.
 
 
IV – DO PE­DI­DO
 
 
Diante de to­do o ex­pos­to, re­quer se­ja a Autarquia ci­ta­da e in­ti­ma­da, na pes­soa de seu re­pre­sen­tan­te ju­di­cial, no en­de­re­ço de­cli­na­do no preâm­bu­lo pa­ra, que­ren­do, apre­sen­tar a con­tes­ta­ção que en­ten­der ca­bí­vel, de­ven­do a de­man­da, ao fi­nal, ser jul­ga­da pro­ce­den­te, con­de­nan­do-a res­ta­be­le­cer o be­ne­fí­cio auxílio-acidente, no va­lor da épo­ca do can­ce­la­men­to, rea­jus­ta­do mo­ne­ta­ria­men­te, ­além pa­gar à autora os va­lo­res atra­sa­dos.
 
Pelos mo­ti­vos ex­pos­tos, re­quer a an­te­ci­pa­ção dos efei­tos da tu­te­la, com ful­cro no ar­ti­go 273 do CPC, es­ta­be­le­cen­do e res­ta­be­le­cen­do o be­ne­fí­cio à autora.
 
Requer, por der­ra­dei­ro, que lhe se­ja con­ce­di­da a Assistência Judiciária gra­tui­ta dian­te da sua con­di­ção, e por for­ça da na­tu­re­za da cau­sa, que tem cu­nho ali­men­tar.
 
Indica as pro­vas per­ti­nen­tes, sem ex­clu­são de qual­quer.
 
Requer, por der­ra­dei­ro, ho­no­rá­rios ad­vo­ca­tí­cios em 20% do va­lor to­tal da con­de­na­ção.
 
Declaro, que as có­pias jun­ta­das ao pro­ces­so fo­ram ti­ra­das dos ­seus res­pec­ti­vos ori­gi­nais.
 
Dá à cau­sa o va­lor de R$
 
N. Termos,
P. E. de­fe­ri­men­to.
 
 
_____________, _____/________/ 200__
 
 
__________________________________
 
Adv.
 

2 COMMENTS

  1. muito bom, mais poderia ser mais abreviado os textos,pois já se sabe que até 97pode se receber a auxilio acidente com a aposentadoria..

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