CONTRARAZÕES EM RECURSO INTERPOSTO PELA SEGURADORA

CONTRARAZÕES EM RECURSO INTERPOSTO PELA SEGURADORA

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contrarazões em recurso interposto pela seguradora
 
É demonstrar, preliminarmente, que os apelantes interpuseram o presente recurso com manifesta má-fé e com a finalidade simplesmente de proscratinar o cumprimento da respeitável sentença proferida nos autos.
A apelante, conforme se pode constatar pela publicação feita no jornal a FOLHA de 22 de março p.p. que ora juntamos é useira e vezeira em se utilizar de todas artimanhas possíveis para não honrar seus compromissos com seus segurados.
O DPVAT foi instituído para cobrir singela indenização aqueles que viessem a óbito ou a sofrer ferimentos em decorrência de acidente de trânsito cumprindo simples formalidades junto a seguradora, inclusive comprovando o fato mediante simples boletim de ocorrência, laudo de exame de corpo de delito expedido pelo I.M.L. e outros dados pessoais fáceis de providenciar, para que no prazo de 15 dias eles efetuassem o pagamento devido.
Diz a Lei nº 6.194, de 19 de dezembro de 1974, em seu art. 3º. que os danos pessoais cobertos pelo seguro estabelecido no artigo compreendem as indenizações por morte, invalidez permanente e despesas de assistência médicas e suplementares, nos valores que se seguem, por pessoa vitimada:
a) 40 (quarenta) vezes o valor do maior salário mínimo vigente no País – no caso de morte;
b) até 40 (quarenta) vezes o valor do maior salário mínimo vigente no País – no caso de invalidez permanente;
c) até 8 (oito) vezes o valor do maior salário mínimo vigente no País – como reembolso à vítima – no caso de despesas de assistência médicas e suplementares devidamente comprovadas.

Já no artigo 4º fala que a indenização no caso de morte será paga, na constância do casamento, ao cônjuge sobrevivente; na sua falta, aos herdeiros legais. Nos demais casos, o pagamento será feito diretamente à vítima na forma que dispuser o Conselho Nacional de Seguros Privados, para no Art. 5º estipular que o pagamento da indenização será efetuado mediante simples prova do acidente e do dano decorrente, independentemente da existência de culpa, haja ou não resseguro, abolida qualquer franquia de responsabilidade do segurado, para no § 1º. esclarecer que a indenização será paga com base no valor da época da liquidação do sinistro, em cheque nominal aos beneficiários, descontável no dia e na praça da sucursal que fizer a liquidação, no prazo de quinze dias da entrega dos documentos comprobatórios do acidente e das seqüelas sofridas complementando no § 5º. que o instituto médico legal da jurisdição do acidente também quantificará as lesões físicas ou psíquicas permanentes pa
ra fins de seguro previsto nesta lei, em laudo complementar, no prazo médio de noventa dias do evento.
Entretanto ante o grande volume de arrecadação de bilhões de reais, foi formado o cartel quando passaram a obstaculizar sistematicamente aqueles que necessitavam receber a indenização que lhes era devida, exigindo mais e mais documentos, exames médicos por eles indicado e até indicando clínicas para tratamento desde que o segurado repassasse seus direitos de recebimento a esses hospitais “conveniados”. A estes, a cobertura do seguro é simplificada e rápida, pois muitas vezes são até subsidiados pelas seguradoras. Aos demais, pasmem, para que recebam em caso de não ir a óbito, se utilizam de uma tabela do INSS de acidente do trabalho que para cobrir o valor integral devido “a vítima terá que estar paraplégica ou cega com todos membros inferiores e superiores decepados” –é as raias do absurdo– o que a justiça vem sistematicamente combatendo e reparando eis que o disposto na lei 6.194/74, alterada pela Lei 8441/92, que dispõe sobre “SEGURO OBRIGATÓRIO DE DANOS PESSOAIS CAUSADOS
POR VEÍCULOS AUTOMOTORES DE VIA TERRESTRE, OU POR SUA CARGA, A PESSOAS TRANSPORTADAS OU NÃO” diz em seu artigo 3º que “os danos pessoais cobertos pelo seguro estabelecido no art. 2º compreendem as indenizações por morte, invalidez permanente e despesas de assistência médica e suplementares, nos valores que se seguem, por pessoa vitimada”.
Constata-se que a lei não distingue entre validez total ou parcial, não podendo, portanto, o intérprete ou julgador distinguir onde a lei não o faz. Com isso, torna-se desimportante, como pretende a apelante, saber se a invalidez que acometeu o apelado é total ou parcial.
A prova dos autos é suficiente no sentido de que ha invalidez e de que ela é incapacitante, aliás como admite a própria recorrente.
Confira-se a respeito do tema:
"Configurada de modo efetivo, consistente, a invalidez permanente, ainda que parcial, faz jus à vítima atropelada ao seguro obrigatório – DPVAT, em face aos danos causados por veículo automotor. Inteligência do artigo 3 da Lei n. 6194/74, com as alterações introduzidas pela Lei n. 8441/92 que não traz distinção quanto à espécie de invalidez".(Ap. n.º 4413597/DF (97061), 5ª Turma Cível do TJDFT, Rel. Dácio Vieira. j. 23.06.1997, Idem).
Como mão à luva, a lição de CARLOS MAXIMILIANO em "Hermenêutica e Aplicação do Direito", Forense -18ª edição – 1998, p. 79/80:
"Em geral, a função do juiz, quanto aos textos, é dilatar, completar e compreender; porém não alterar, corrigir, substituir. Pode melhorar o dispositivo, graças à interpretação larga e hábil; porém não – negar a Lei, decidir o contrário do que a mesma estabelece. A jurisprudência desenvolve e aperfeiçoa o Direito, porém como que inconscientemente, com o intuito de o compreender e bem aplicar. Não cria, reconhece o que existe; não formula, descobre e revela o preceito em vigor e adaptável à espécie. Examina o Código, perquirindo das circunstâncias culturais e psicológicas em que ele surgiu e se desenvolveu o seu espírito; faz a crítica dos dispositivos em face da ética e das ciências sociais; interpreta a regra com a preocupação de fazer prevalecer à justiça ideal (richtiges Recht); porém tudo procura achar e resolver com a lei; jamais com a intenção descoberta de agir por conta própria, 'proeter' ou contra 'legem'.

Todo Direito escrito encerra uma parcela de injustiça. Parece justa a regra somente quando as diferenças entre ela e o fato são insignificantes, insensíveis. Preceitua de um modo geral; é impossível adaptá-la, em absoluto, às mil circunstâncias várias dos casos particulares. Permitir abandoná-la então, sob o pretexto de buscar atingir o ideal de justiça, importaria em criar mal maior; porque a vantagem precípua das codificações consiste na certeza, na relativa estabilidade do Direito.

A norma positiva não é um conjunto de preceitos rijos, cadavéricos, e criados pela vontade humana; é uma força viva, operante, suscetível de desenvolvimento; mas o progresso e a adaptação à realidade efetuam-se de acordo, aproximando, ou pelo menos aparente, com o texto; não em contraste com este".

Tanto as mazelas e maus tratos aqueles que dependem de recebimento desse seguro que ate em site da Internet se encontra:
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SITE DA INTERNET EM MÁFIA DO SEGURO OBRIGATÓRIO -DPVAT
Máfia do Seguro Obrigatório – DPVAT
O Seguro Obrigatório foi criado com a finalidade de indenizar vítimas em casos de danos pessoais causados por veículos automotores de via terrestre – SEGURO DPVAT.
Todas as pessoas vítimas fatais de acidentes com veículos, tem direito a indenização prevista neste seguro no valor de 40 salários mínimos.
É público e notório que existe há muito, uma organização mafiosa que visa o recebimento deste seguro de forma ilícita, com o intuito de locupletarem-se às custas de pessoas menos favorecidas, na maioria das vezes completamente hiposuficientes, tanto no que diz respeito às suas condições sociais quanto econômicas.
Neste sentido, com base em casos concretos recebidos por vários órgãos de defesa do consumidor, foi constatada a existência de "agentes funerários e profissionais de direito" envolvidos no sistema.
O procedimento adotado por estes "agentes" se inicia no momento em que tomam conhecimento do falecimento de alguma vítima, ainda no local do acidente, ou no hospital onde foi encaminhada para atendimento, ou ainda quando constatada a chegada do corpo no Instituto Médico Legal. Em relação a este fato, existem suspeitas de que outras pessoas participem de maneira indireta como "informantes", sendo pagas para essa finalidade.
Cabe ressaltar que estes "agentes" somente praticam o crime, após analisarem detalhadamente as condições econômicas e culturais dos responsáveis pela vítima, ou seja, somente darão continuidade ao ato, caso constatem serem os mesmos analfabetos, ignorantes e/ou deficientes economicamente. A justificativa para tal requisito se deve à forma de operacionalização da trama.
Assim que "informados" do sinistro, os agentes imediatamente saem à procura dos parentes da vítima. Nesta oportunidade, antes mesmo de darem o "bote", se vestem de "cordeiros", oferecendo-lhes todo o tipo de ajuda, demonstrando prestabilidade, solidariedade e comoção.
Por outro lado, os parentes da vítima, completamente transtornados pela dor, às vezes até mesmo desesperados por não terem como arcar com as despesas do sepultamento, ou ao pagamento hospitalar se entregam à própria sorte.
Levados pelo "agente" até ao estabelecimento onde funciona a funerária, no caso de morte, são informados de que os gastos com o velório e sepultamento não serão cobrados e que deverão aguardar a chegada do "advogado" da empresa para melhor orientá-los.
O "advogado" por sua vez, induz a erro as vítimas, alegando que a prestação de serviços funerários e seus honorários advocatícios serão descontados do seguro DPVAT, devendo para tanto, entregar-lhes os documentos pessoais e acompanharem o "agente" até ao cartório para obterem a certidão de óbito e também ao IML para a liberação do corpo da vítima, o mesmo expediente também é usado em caso da vítima ter sido internada em algum hospital quando dizem que ele será melhor tratado etc…
Convictos de que todo o procedimento deverá ser obedecido, os responsáveis pela vítima sem tomarem conhecimento da real situação, acabam por ser lesados de forma irremediável pelos autores e co-autores da farsa, eis que do valor do seguro, correspondente na maioria dos casos em 40 salários mínimos ou não recebem nenhuma quantia a este título ou então lhes são entregues na maioria das vezes, menos de um terço do valor total do DPVAT.
Vários recebimentos indevidos, relativos ao seguro DPVAT, já se encontram na Delegacia de Ordem Econômica para abertura de inquérito policial e apuração dos crimes de consumo cometidos por estes agentes, por se situarem também no âmbito do direito penal.
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Assim, isto acontecendo ao ora apelado, simplesmente lhe devolveram toda documentação porque ele a essas exigências não atendeu – abrir mão de seus direitos – obrigando-o a procurar o judiciário para ver valer seus direitos.

Vejamos, então, brevemente o

FATO E OS FATOS PROCESSUAIS.
Interpõe o apelante o presente recurso, objetivando a reforma da respeitável sentença prolatada nos autos acima mencionados e que tramitou perante o JUIZADO ESPECIAL CIVEL DA COMARCA DE AMERICANA, dizendo que através de respeitável decisão exarada nos referidos autos, o douto Juiz de Direito do Juizado Especial, proferiu a sentença entendendo que a produção de provas pretendidas pelos requeridos eram impertinentes, não agindo assim com o costumeiro acerto e em desacordo com a jurisprudência pátria, porque teria dado procedência ao pedido em razão do segurado ter apenas sofrido danos estéticos que não é coberto pelo DPVAT; que não é permitida a vinculação do salário mínimo para cobrir ações indenizatórias e que em caso de invalidez há distinção para o pagamento da indenização dependendo do tipo de lesão; que o valor que deve ser pago a título de indenização é de R$7.210,00 e que os honorários devem ser arbitrados no mínimo possível, ou seja 10% do valor da condenação em r
azão (sic) do baixo grau de complexidade da presente causa. Juntam alguma jurisprudência ultrapassada e que não se aplicam ao caso concreto.
Aliás, o teor do recurso não passa de uma cópia da contestação formulada.
No entanto, para que não paire dúvidas quanto a bem lançada sentença vejamos:

1. Quanto a destacada falta de cobertura alegada inicialmente pela apelante de que o apelado apenas sofreu “um dano estético” e que por essa razão ele não faz juz a qualquer indenização, salientamos que a apelante ou não sobe interpretar o laudo ou age de má-fé, pois este, (fls.150) é claro: diz que o apelado apresenta “Ao exame: extensa cicatriz cirúrgica região anterior da pena esquerda, edema residual, exame radiológico evidenciamos fratura dos ossos da perna esquerda, com debilidade permanente para locomover-se, deambulando com apoio de bengala, solicitamos foto. Examinado apresenta invalidez parcial permanente e dano estético permanente, visto tratar-se de lesão definitiva sem condições para resolução espontânea e de alta médica. O IML, não fornece grau de incapacidade, pois não emitimos laudo de medicina do trabalho”.
1.1.Ora, se houvesse atentado ao inserido e feita a legal interpretação do laudo, teria notado que o dano estético foi uma conseqüência dos ferimentos sofridos (veja foto de fls.59) os quais na realidade lhe provocou a debilidade permanente para locomover-se deambulando com apoio de bengala e lhe resultando invalidez parcial e permanente. Assim, essa afirmação feita pela apelante de que o apelado sofre apenas danos estéticos é leviana e de má fé.
2. Quanto a inaplicabilidade do salário mínimo ao pagamento da indenização, o fato já foi amplamente debatido e analisado nos autos, mas nunca é demais repetir que o art. 3º da Lei nº 6.194, não foi revogado, razão que a indenização corresponde sobre 40 salários mínimos, e não aquela que é fixada pelo CNSP, e de até R$-10.300,00, sendo portanto suas considerações que dariam suporte a sua tese totalmente ultrapassadas.
2.1.Na realidade o valor de cobertura do seguro obrigatório de responsabilidade civil de veículo automotor (DPVAT) é de quarenta salários mínimos, assim fixado consoante critério legal específico, não se confundindo com índice de reajuste e, destarte, não havendo incompatibilidade entre a norma especial da Lei n. 6.194/74 e aquelas que vedam o uso do salário mínimo como parâmetro de correção monetária. (Precedente da 2ª Seção do STJ (REsp n. 146.186/RJ, Rel. p/ Acórdão Min. Aldir Passarinho Junior, por maioria, julgado em 12.12.2001).
2.3.E tanto é verdade que todos que venham a receber valor inferior ao determinado pela lei têm recebido a diferença devida quando acessado o judiciário.
SEGURO OBRIGATÓRIO – AÇÃO DE COBRANÇA – As leis nºs 6.205/75 e 6.423/77 não revogaram o art. 3º da Lei nº 6.194/74 pois não há incompatibilidade entre elas – Recusa de aplicação da Súmula nº 15 do Egrégio Primeiro Tribunal de Alçada Civil de São Paulo Apelação provida para essa finalidade. (1º – TACIVIL – 6ª Câm.; Ap. nº 387.372-SP; rel. Juiz Pinheiro Franco; j. 08.03.1988; maioria de votos.) BAASP, 1538/134, de 08.06.1988.
SEGURO OBRIGATÓRIO – AÇÃO DE COBRANÇA
– As leis nºs 6.205/75 e 6.423/77 não revogaram o art. 3º da Lei nº 6.194/74 pois não há incompatibilidade entre elas – Recusa de aplicação da Súmula nº 15 do Egrégio Primeiro Tribunal de Alçada Civil de São Paulo – Apelação provida para essa finalidade. (1º – TACIVIL – 6ª Câm.; Ap. nº 387.372-SP; rel. Juiz Pinheiro Franco; j. 08.03.1988; maioria de votos.) BAASP, 1538/134, de 08.06.1988.
CIVIL – AÇÃO DE COBRANÇA DE SEGURO OBRIGATÓRIO (DPVAT) – FIXAÇÃO DO VALOR DA INDENIZAÇÃO – PARÂMETRO LEGAL – O valor da indenização referente ao seguro obrigatório de responsabilidade civil de veículo automotor (dpvat) é de quarenta vezes o valor do salário mínimo, fixado consoante parâmetro do art. 3º da Lei nº 6.194/74, vedado ao cnsp dispor de forma diversa, porquanto está vinculado à Lei. Considerando que não há na regência do seguro obrigatório determinação da Lei ou convenção quanto à taxa de juros, aplica-se o disposto no art. 406 do código civil. (TJRO – AC 03.004137-6 – C.Esp. – Rel. Des. Sansão Saldanha – J. 19.11.2003) JCCB.406

SEGURO OBRIGATÓRIO – DPVAT – Indenização por morte. Fixação em salários mínimos. Lei nº 6194/74, artigo. 3º. Recibo de quitação. Recebimento de valor inferior ao legalmente estipulado. Direito à complementação. Possibilidade de vinculação ao salário mínimo. Recurso provido para o fim de julgar-se procedente a ação, condenando-se a seguradora ao pagamento da diferença entre aquilo recebido pelo autor e o que era efetivamente devido (55% de 40 salários mínimos), atualizando-se desde os pagamentos indevidamente feitos, acrescidos de juros de mora contados da citação. (1º TACSP – AP 1027039-6 – (42782) – Itanhaém – 5ª C.Fér. – Rel. Juiz Manoel Mattos – J. 30.01.2002).
CIVIL – SEGURO OBRIGATÓRIO DE VEÍCULO – DPVAT – LEI Nº 6.194/74 – DESNECESSIDADE DA PROVA DO PAGAMENTO DO BILHETE DO SEGURO E/OU DO DUT – FIXAÇÃO DO VALOR INDENIZATÓRIO EM SALÁRIO-MÍNIMO CONFORME SUA LEI DE REGÊNCIA – SENTENÇA MANTIDA – 1. A Lei nº 6.194, de 19/12/74, não exige a apresentação do bilhete do seguro obrigatório dpvat dos veículos envolvidos e/ou do dut para a comprovação de seu pagamento (art. 5º), estabelecendo que, no caso de morte, o valor indenizatório é o correspondente a 40 salários-mínimos (alínea "a" do art. 3º) da época da liquidação do sinistro (§1º do art. 5º). 2. É que, consoante já está assente na jurisprudência do excelso Superior Tribunal de Justiça, o art. 3º da Lei nº 6.194/74 não foi revogado pelas Leis nºs 6.205/75 e 6.423/77, subsistindo o critério de fixação da indenização em salários mínimos ali previsto, por não se constituir, no caso, em fator de correção monetária, mas sim em base para quantificação do montante ressarcitório. 3. Recurso
conhecido e improvido, mantendo-se íntegra a R. Sentença recorrida. (TJDF – ACJ 20030110521397 – DF – 2ª T.R.J.E. – Rel. Des. Benito Augusto Tiezzi – DJU 02.12.2003 – p. 117)

ACÓRDÃO
Vistos, relatados e discutidos…
ACORDAM, os Juízes da Sexta Câmara do Primeiro Tribunal de Alçada Civil, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso da autora e negar provimento ao apelo da ré. Trata-se de Ação de Cobrança de Seguro Obrigatório pelo Rito Sumaríssimo julgada procedente. Recorrem autora e ré. A primeira por não se conformar que o reajuste não seja mais pelo salário mínimo, pleiteando ainda contagem dos juros de mora a partir do evento e elevação do percentual da verba honorária; a segunda sustentando que o termo "a quo" da correção monetária deve ser o ajuizamento da ação. Recursos tempestivos e regularmente processados; preparo da ré em ordem, estando a autora isenta.
É o relatório.
Cumpre salientar, de início, que a manifestação recursal não revela qualquer desistência da autora no que toca à reapreciação do pedido no sentido de que a indenização seja fixada em 40 (quarenta) salários mínimos e não de forma diversa, consoante prevê expressamente a Lei nº 6.194/74. Com efeito, inobstante a referência a irresignação parcial, deixou a autora expressamente consignado, nos autos, em razões de Apelação, que não se conformava com a posição jurisprudencial contrária ao seu entendimento sobre a matéria, inclusive, a esse respeito, com a Súmula nº 15 deste Egrégio Tribunal. E salientava no que vale repetir, aqui, integralmente as suas próprias palavras, para que dúvida alguma reste a esse respeito – que "a análise dos fundamentos em que o Colendo Pleno se alicerçara para enunciar tal súmula de modo algum convencia a quantos tinham o trato de problemas ligados ao Seguro Obrigatório (DPVAT), com isenção". Acrescentava, que em que pesassem os argumentos alhures brilh
antes do ilustre Prolator do Acórdão-lider, que agora sumulado verbete nesta Casa, inexistia no aresto qualquer alusão implícita ou reflexa, direta ou indireta, à acintosa desobediência aos parâmetros especiais fixados na Lei nº 4.657/42 – únicos a tornar defensável a pretendida "revogação" da Lei nº 6.194/74 pelas posteriores 6.205/75 e 6.423/77. De fato, continuava a autora, a Lei nº 4.657/42, conhecida como "Lei de Introdução ao Código Civil", diploma supra-legal, ditava as regras perenes a serem obedecidas na revogação de diplomas anteriores por seus congêneres posteriores, dentro da sistemática processual brasileira. E no seu outro apelo encartado às folhas 80/96 destes autos, a autora apelante já digredia longa e percucientementes sobre a matéria, hoje, infelicitadamente ao ver da mesma apelante, pacificada sumularmente no Incidente de Uniformização de Jurisprudência nº 373.871, sem que se levasse em conta os pressupostos revocatórios da aludida Lei de Introdução. Embo
ra, em posição de quase desânimo, reconhecesse inútil, face às circunstâncias, amiudar sua posição a respeito tendo em vista a promulgação da Súmula nº 15, a apelante afirmou, com todas as letras, que "entendia pertinente deixar aqui ratificada sua posição a respeito da suposta” revogação “; e isso como ato de independência intelectual e jurídica. E fazia-o para proclamar enfaticamente que, bem ao revés do que pretendia a Súmula nº 15, as Leis nºs 6.205/75 e 6.423/77 jamais houveram revogado, quer no todo, quer em parte, a chamada "Lei do Seguro Obrigatório" (Lei nº 6.194/74). E à vista disso, remeteu até os ilustres Julgadores à ordem de argumentos expendidos na peça recursal já produzida nos autos, especialmente às fls. 82/91. Ora, não é mero ato de independência intelectual e jurídica aquele praticado por ilustre advogado que, em nome de sua constituinte, reiteradamente apresenta manifestação, nos autos, contrária à tese admitida pela Súmula nº 15 desta Egrégia Corte de J
ustiça. Não e simples manifestação de independência intelectual e jurídica posição externada em razões de apelo, formulada na forma e no prazo da lei processual, onde indica, sem qualquer possibilidade de convencimento outro e certamente em nome de sua constituinte, posto que só em seu preciso nome é que pode postular no processo, em assuntos de seu privativo interesse, que discorda frontalmente da r. deliberação emanada do Juízo de primeiro grau de jurisdição e mesmo da tese acatada por deliberação plenária em Segunda Instância. Não é pura questão de independência intelectual e jurídica a proclamação, enfática, de que ao revés do que pretende a Súmula nº 15, as Leis nºs 6.205/75 e 6.423/77 jamais revogaram, quer no todo, quer em parte, a chamada Lei do Seguro Obrigatório (Lei nº 6.194/74). Não é ato de mera independência intelectual e jurídica a remissão respeitosa à ordem de argumentos expendidos na peça recursal já produzida nos autos, especialmente às fls. 82/91. Assim,
o exame dessas razões recursais, é de manifesto rigor. A Lei nº 6.205, de 29 de abril de l975, estabelece a descaracterização do salário mínimo como fator de correção monetária. A hipótese, todavia, não versa sobre o salário mínimo a caracterizar fator de correção monetária, proibido pela Lei nº 6.205/75, mas, sim, de lei a quantificar um montante indenizatório. Não se trata, pois, de discutir os novos critérios de cálculos da atualização monetária e que estariam vinculados, até 28.02.86, à variação nominal das Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional (hoje OTNs.). Em se cuidando de pagamento de seguro, já deliberou a Colenda Sexta Câmara desse Egrégio Tribunal, nos autos da Apelação nº 347.957, da comarca de Patrocínio Paulista, que não se cogita da correção monetária de valores, porquanto estes se acham desde logo demarcados por lei no correspondente a 40 (quarenta) vezes o maior salário mínimo, no caso de morte. É valor da indenização, é quantificação de verba indeniza
tória, emanada da lei. Não há, portanto, correção monetária no sentido técnico-jurídico. Essa é, pois, a indenização cabente aos beneficiários da vítima, pouco importando que outra venha prevista no bilhete de seguro ou em resoluções do Conselho Nacional de Seguros Privados. Com efeito, tais resoluções podem "estabelecer normas para o pagamento da indenização e a forma de sua distribuição da responsabilidade entre as seguradoras participantes do consórcio, sem interferir, porém, no "quantum" da indenização, porque este estava regulado pela lei". (Rev. Jurispr. Trib. Just. S.P. 58/157). A jurisprudência desta Corte de Justiça já admitia como correto o valor originariamente constante da Lei nº 6.194/74, afastada a aplicação da Lei nº 6.205/75 (RT 563/128, Julgados 82/29 etc.), e hoje, mesmo após a Súmula nº 15, a tese é aceita por alguns Juízes integrantes desta Colenda Câmara, que não se conformaram com a orientação do precedente e preferiram ficar com a posição do Supremo Tr
ibunal Federal (RTJ 80/279). Daí porque a indenização a cargo da seguradora deve ser fixada na importância correspondente a 40 (quarenta) vezes o maior salário mínimo vigente no País, em vigor na época do fato, com correção monetária a partir do evento e juros, contados da citação, no percentual já arbitrado às fls. 154. Permanece íntegra, ademais, a indenização de Cz$ 290,00 (duzentos e noventa cruzados) a título de ressarcimento de gastos hospitalares, com correção monetária e juros, consoante o já fixado às fls. 154. No tocante aos juros de mora, vem decidindo também esta Colenda Câmara reiteradamente, de resto já bem expresso pelas cópias xerográficas de r. Acórdãos juntados, que são contados a partir da citação, sobretudo pela natureza contratual desse instituto, diga-se de passagem com intuito predominantemente social, sendo, outrossim, indisfarçável que, não tendo havido cobrança administrativa, a mora pode ser considerada a partir da citação. A extrapolação da recor
rente com fundamento no art. 962 não prospera, pois é nítida a conotação personalíssima do dispositivo quanto à figura do direto causador do delito. E a obrigação da Seguradora neste âmbito não afasta a responsabilidade do direito causador do ano, tanto que tem valor fixo, evidenciando a índole contratual. Há que se concluir de outro lado, que a verba honorária, situando-se no percentual de 10% (dez por cento), representou justa compensação ao esforço do digno advogado, máxime diante dos termos da decisão ora alcançada pelo Tribunal, ressaltando-se, nesse passo, o seu brilhante trabalho produzido nos autos, digno das melhores honorárias. Por fim, a correção monetária, na esteira de infindáveis Acórdãos, não é pena e nem acréscimo. É apenas a composição do mesmo capital inicial para que ele continue a ser verdadeiro. E para essa finalidade ela só pode ser computada desde a data do evento. Posto isso, dá-se provimento parcial ao recurso da autora e nega-se provimento ao apelo
da ré. Presidiu o julgamento, com voto, o Juiz Mendonça de Barros e dele participaram os Juízes Pinheiro Franco (Relator designado) e Castilho Barbosa (vencido, em parte). São Paulo, 08 de março de 1988. Pinheiro Franco – Relator designado. Castilho Barbosa – Vencido, em parte, com declaração de voto em separado. DECLARAÇÃO DE VOTO VENCIDO EM PARTE.
Como relator sorteado, negava provimento em toda extensão ao recurso da autora, inclusive por força do entendimento no sentido de que o art. 3º da Lei nº 6.194/74 fora revogado pelas Leis nºs 6.205/77 e 6.423/77. É que o próprio ilustre causídico deixara claro que a irresignação era só por ato de independência intelectual, visto que não concordava com a promulgação da Súmula nº 15 desta E. Corte, ante o que, entretanto, acabei curvando-me, convencendo-me da lógica que encerra e que restou cristalizada com a Uniformização de Jurisprudência hoje Sumulada. Dava, outrossim, provimento ao apelo da ré por impor-se admitir que, quanto ao termo "a quo" da correção monetária não pode a cobrança de seguro obrigatório ser reduzida ao mesmo denominador da indenização pelo ilícito civil, cuja reparação deve ser a mais ampla possível, dado o caráter contratual do seguro, com valor previamente estabelecido; aqui portanto, a incidência da correção monetária é a partir do ajuizamento da ação.
Castilho Barbosa.
3. No tocante à proporcionalidade do pagamento do seguro em razão dos ferimentos recebidos, já está plenamente demonstrado acima que a lei não distingue em entre invalidez total ou parcial razão que não há de se falar em o apelante submeter-se a outros exames para isto constatar, pois o laudo de fls.150 é explícito é bastante claro.
4. Os honorários advocatícios devem ser arbitrados no máximo, 20% do valor da condenação pois a causa exigiu esforço e pesquisa dos patronos do apelante e causa não foi de baixo grau de complexidade como alega o recorrente.
DA RESPONSABILIDADE DAS PARTES POR DANO PROCESSUAL

Reza o art. 16 do C.P.C. que responde por perdas e danos aquele que pleitear de má-fé como autor, réu ou interveniente para nos arts. seguintes dizer:
que reputa-se litigante de má-fé aquele que:
….
IV – opuser resistência injustificada ao andamento do processo; (Redação dada ao inciso pela Lei 6.771, de 27.03.1980)
V – proceder de modo temerário em qualquer incidente ou ato do processo; (Redação dada ao inciso pela Lei 6.771, de 27.03.1980)
….
VII – interpuser recurso com intuito manifestamente protelatório. (Inciso acrescentado pela Lei n.º 9.668, de 23.06.1998)
Determina-se ainda que o juiz ou tribunal, de ofício ou a requerimento, deverá condenar o litigante de má-fé a pagar multa não excedente a um por cento sobre o valor da causa e a indenizar a parte contrária dos prejuízos que esta sofreu, mais os honorários advocatícios e todas as despesas que efetuou. (NR) (Redação dada ao caput pela Lei n.º 9.668, de 23.06.1998)
….
§ 2º. O valor da indenização será desde logo fixado pelo juiz, em quantia não superior a vinte por cento sobre o valor da causa, ou liquidado por arbitramento. (Redação dada ao parágrafo pela Lei n.º 8.952, de 13.12.1994)
Como se pode verificar pela leitura dos autos, o recurso interposto além de ser cópia fiel da contestação que foi muito bem interpretada na respeitável sentença recorrida como " as alegações formuladas pelos requeridos não são irrelevantes para a apreciação do mérito da causa, visto que a sentença proferida em favor do autor é indiscutível e que os argumentos apresentados, não são passíveis de análise, posto que impertinentes" e não trazem nenhum outro fato que pudesse elidir o julgamento procedido.
A única pretensão que se encontra no referido pedido de reforma, como se vê, é o de procrastinar a decisão proferida, continuando o apelante sem dar contraprestação devida com sérios prejuízos ao apelado que não recebe a indenização que lhe é devida.
Segundo Luiz Cláudio Portinho Dias, Procurador Autárquico do INSS e Membro do Instituto Brasileiro de Advocacia Pública em trabalho publicado na Juris Síntese, edição n.º 17 -Legislação e Jurisprudência de maio-junho 99- "in verbis" diz:
"A caracterização do que seja um recurso manifestamente protelatório não possui, nem de perto, uma conceituação uníssona. Na doutrina o tema não foi suficientemente discutido, o que não impediu o mestre gaúcho Ovídio A. Baptista de formular interessante ensinamento, demonstrando a sua preocupação com a exagerada possibilidade de protelar a lide, via procedimentos autorizados por lei:
"Tem-se dito que o instituto dos recursos, em direito processual, responde a uma exigência psicológica do ser humano, refletida em sua natural e compreensível inconformidade com as decisões judiciais que lhe sejam desfavoráveis. Não resta dúvida de que este sentimento é decisivo para explicar a criação e a permanência, historicamente universal, do instituto dos recursos. Mas não se deve perder de vista que o sentimento, em que se busca fundamentar os recursos, resume-se à compreensível segurança de que as partes podem gozar quando sabem que o Juiz da causa terá sempre sua decisão sujeita ao julgamento de outro magistrado, do mesmo nível ou de nível superior o que o tornará mais responsável e o obrigará a melhor fundamentar seu julgamento. Isto, no entanto, não legitima que se prodigalizem os recurso, reduzindo a limites intoleráveis a jurisdição de primeiro grau, como acontece entre nós." .
"Nossos tribunais também apresentam uma série de precedentes, enquadrando diversos procedimentos sob a pecha de protelação do feito. O certo é que o subjetivismo na definição do que seja ou não protelatório, em termos de recurso processual, será uma constante, principalmente nos primeiros anos de vida da nova regra.
Todavia, já se pode encontrar na jurisprudência alguns elementos de partida, que, com certeza, servirão de luz às primeiras decisões sob a égide do novo preceito. Cumpre, então, fazer uma análise destas decisões, verificando os pontos de partida para a formação de um conceito seguro sobre o que seja um "recurso manifestamente protelatório.
RAZÕES RECURSAIS INOVATÓRIAS E DISCUSSÃO DE MATÉRIA PRECLUSA.
O primeiro aresto encontrado trata de razões inovatórias, isto é, aquele recurso que traz questões não ventiladas no juízo de origem para a análise do Tribunal:
EMBARGOS DECLARATÓRIOS DE SENTIDO PROTELATÓRIO. NÃO TENDO SIDO POSTULADAS HORAS EXTRAS, NA CONDIÇÃO DE VIGILANTES E SIM, EXCLUSIVAMENTE, NA DE BANCÁRIOS, QUE OS RECORRENTES NÃO SÃO, INOVAR A CAUSA TEM SENTIDO PROTELATÓRIO. MULTA A PARTE EMBARGANTE PELO SENTIDO PROTELATÓRIO DO SEU RECURSO. (TST – ED-RR 4898/78 – 2ª Turma – Rel. Min. MARCELO PIMENTEL, DJ 24.10.80);
A conclusão decorre, logicamente, da combinação dos arts. 300 e 303 do CPC, que impõem à parte trazer toda matéria de defesa em contestação.
Além disso, a aceitação de teses inovatórias em grau de recurso provocaria supressão de instância, em flagrante prejuízo da defesa da outra parte e do princípio do contraditório. De grande valia, pois, o precedente.
RAZÕES RECURSAIS DISSOCIADAS DA DECISÃO IMPUGNADA.
O Pretório Excelso fixou interessante diretriz jurisprudencial a merecer nossa atenção e estudo:
"… FRENTE AO DESCOMPASSO ENTRE A DECISÃO IMPUGNADA E AS RAZÕES DO AGRAVO, ESTE TRANSPARECE COMO SENDO MERAMENTE PROTELATÓRIO." (STF – 2ª Turma – Agravo Regimental em Agravo de Instrumento ou Petição n.º 146998 – Rel. Min. Marco Aurélio – DJ 19.3.93, p. 4284);
As razões dissociadas da matéria tratada no processo afiguram-se meramente protelatórias, por submeter ao Tribunal a análise de uma questão infundada, sem qualquer possibilidade de sucesso. O recurso, nessa circunstância, serve apenas à finalidade de abarrotar as prateleiras dos Tribunais, sem qualquer probabilidade de reforma da decisão. Aliás, sobre o tema versa a Súmula 284 do STF, de seguinte teor: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Ademais, a situação enquadra-se, também, no inciso VI do art. 17 do CPC.
Justifica-se plenamente, por isso, a imposição de multa, embora seja sempre necessário averiguar, caso a caso, se não houve erro grosseiro por parte do recorrente, ao invés de propósito protelatório.

FALTA DE INTERESSE DE AGIR.
A falta de interesse de agir, ou melhor, de recorrer, também pode levar à conclusão de que o recurso visa a protelação do feito. Nesse sentido:
"LITIGANTE DE MÁ-FÉ – RECURSO DO RÉU DEDUZINDO PRELIMINAR DECIDIDA NA SENTENÇA EM CONSONÂNCIA COM O TEOR DA CONTESTAÇÃO – CARÁTER PROTELATÓRIO – CARACTERIZAÇÃO. É de se reconhecer litigância de má-fé ao réu que reclama, em fase recursal, questão preliminar já decidida em consonância com o teor da contestação." (2º TAC/SP – Ap. c/ Rev. 335.848 – 8ª Câm. – Rel. Juiz CINTRA PEREIRA – J. 20.8.92);
Da mesma forma decidiu o TARGS:
"LITIGÂNCIA DE MÁ-FE. ASSIM SE PRONUNCIA O EMBARGANTE QUE, NÃO OBSTANTE LOGRAR O QUE DEDUZIU NOS EMBARGOS, AINDA APELA DA SENTENÇA, REEDITANDO ALEGAÇÃO SEM FUNDAMENTO. REPRESENTANDO A APELAÇÃO MERO INTUITO DE PROTELAR O PAGAMENTO DA DIVIDA, IMPÕE-SE A REPARAÇÃO DOS PREJUÍZOS SOFRIDOS PELO CREDOR DESDE A INTERPOSIÇÃO DO RECURSO, ATRAVÉS DA CORREÇÃO MONETÁRIA DO PRINCIPAL, JUROS E HONORÁRIOS, SEGUNDO OS ÍNDICES DAS ORTNS." (TARGS – 3ª Câmara Cível – APC. n.º. 24837 – Rel. SÉRGIO PILLA DA SILVA – JULGADOS TARGS 39/394).
O art. 499 do CPC é claro ao dispor que o recurso será interposto pela parte vencida. Dessa forma, sendo vencedora a parte, não terá, via de conseqüência, nenhum interesse em interpor recurso, que por isso será considerado protelatório. Além disso, a pretensão também merece censura, por contrariar o texto do artigo supracitado, amoldando-se à hipótese do inciso I do art. 17 do CPC.
AUSÊNCIA DOS REQUISITOS DE ADMISSÃO DO RECURSO.
O recurso intempestivo também já recebeu reprimenda dos Tribunais pátrios. Nessa linha o seguinte precedente:
"SENDO O RECURSO EMINENTEMENTE RETARDATÁRIO, COM EVIDENTES PREJUÍZOS AO RECLAMANTE PELO DECURSO DO TEMPO, ESTA COMPOSTO O QUADRO DE LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ COM QUE SE HOUVE A RECLAMADA AO PROTELAR A SATISFAÇÃO DO JULGADO." (TRF da 4ª Região – Agravo de Petição n.º 94.04.32102.8-RS – 2ª Turma – Rel. Doria Furquim – DJ 31.1.96, p. 3845);
Elogiável decisão que abre ainda precedente para a reprimenda de todos os futuros casos em que não forem atendidos os requisitos intrínsecos (cabimento, legitimação, interesse e inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer), e extrínsecos de admissão do recurso ( tempestividade, regularidade formal e preparo) ..
Não há porque se manter conivente o sistema processual com tais modos de proceder, pois denotam a malícia da parte, ou, as vezes, o despreparo de seu patrono. De qualquer forma, merece a penalização, levando-se sempre em consideração o propósito de protelar o feito.
REPETIÇÃO DOS ARGUMENTOS RECURSAIS AO MESMO ÓRGÃO PROLATOR DA DECISÃO IMPUGNADA.
A insistência da parte em submeter a mesma argumentação ao Juízo que já o decidiu, definitivamente, também merece atenção de nossos tribunais, como critério de caracterização do recurso protelatório.
Nesse sentido:
"LITIGANTE DE MÁ-FÉ – RECURSO DEDUZINDO QUESTÕES JÁ DECIDIDAS E TRANSITADAS EM JULGADO – CARÁTER PROTELATÓRIO – CARACTERIZAÇÃO. A interposição de vários recursos, sem êxito do recorrente, todos voltados contra a mesma matéria e, com agravante de serem, em sua maioria, cópia reprográfica, caracteriza abuso do direito postulatório." (2º TAC/SP – Ap. s/ Rev. 427.852 – 6ª Câm. – Rel. Juiz LAGRASTA NETO – J. 22.3.95);
O fato é comum demais em nossos pretórios. No STF é corriqueira a interposição de 3 ou 4 embargos declaratórios em agravo regimental de agravo de instrumento oferecido contra o não conhecimento de recurso extraordinário que não foi conhecido por falta de amparo. Note-se que a própria exposição da nomenclatura do recurso afigura-se protelatória (!).

RECURSO CONTRA DECISÃO EM CONSONÂNCIA COM JURISPRUDÊNCIA ASSENTE DE CORTE SUPERIOR.

O recurso contra decisão em consonância com jurisprudência assente do Tribunal "ad quem" também deve ser visto como protelatório?! Há sinalizações para que se responda afirmativamente tal questão:
"ESTA TURMA JÁ DECIDIU QUE, EM MATÉRIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA NAS DESAPROPRIAÇÕES, INCIDE A LEI-6899.1981 E NÃO AS REGRAS ESPECÍFICAS DA LEI-3365.1941. POR ISSO, A QUESTÃO, DEFINITIVAMENTE JULGADA EM SEDE DE APELAÇÃO, NÃO SE PODE REAPRECIAR EM EXECUÇÃO DE SENTENÇA. RECURSO PROTELATÓRIO, A QUE SE NEGA PROVIMENTO." (TJ/DF – APC. n.º 0011343.83 – 2ª Turma Cível – Rel. Des. Luiz Carlos Abreu – DJ 26.4.84, 2ª Seção, p. 6.226);
Todavia, encontramos sinceras dificuldades em formar uma convicção nesse sentido. Acreditamos ser demasiada a pena imposta à parte, por acarretar prejuízo não só a ela, mas também a todo sistema jurídico nacional.
O que se quer, por certo, não é a estratificação do direito, transformando-se os precedentes jurisprudenciais das Cortes Superiores em verdadeiras súmulas vinculantes travestidas. A parte não pode ser proibida, ou melhor, coagida, a não recorrer de decisões apenas pelo fato de a Corte Superior ter firmado orientação uniforme em sentido oposto. Isso seria, sem dúvida, negar vigência ao princípio da ampla defesa e do duo process of law.
Embora seja obstáculo, em tese, à admissão dos recursos de natureza extraordinária, entendemos que esta regra não tem força suficiente para transformar o recorrente em litigante de má-fé. Afinal, há o conteúdo social, refletido principalmente no interesse público consubstanciado na evolução da jurisprudência, que só será uma realidade se se possibilitar a discussão dos temas sumulados.
Conforme bem salienta Manoel Antonio Teixeira Filho, em comentário ao art. 896 da CLT, que trata do recurso de revista na Justiça do Trabalho, "a denegação da revista, na hipótese, constitui inegável faculdade do relator (que, por isso, poderá admiti-la mesmo que contrastante com orientação cristalizada em Súmula), como resulta do verbo poder, utilizado pelo legislador" .
Aliás, não há como discordar desta tese, pois em nosso sistema não existe o efeito vinculante das decisões das Cortes Superiores, sendo as súmulas meros instrumentos de orientação jurisprudencial. Preferimos, pois, ficar ao lado de Field, Ministro da Suprema Corte Americana, que, em análise crítica ao sistema americano do "stare decisis", no caso Bardem vs. Northern Pacific Railroad Co., 154 U.S. 288 (1894), concluiu:
"é mais importante que o tribunal decida corretamente com base em análise posterior e mais elaborada dos casos do que ele seja consistente com as decisões anteriores" .
Não se pode esquecer, por fim, que o maior objetivo da uniformização jurisprudencial é assegurar certeza e segurança jurídica, sem, contudo, importar na estratificação do direito. O direito deve ser estável, mas não estático, desejando-se sempre, quando necessária for a mudança, que seja no sentido do progresso.
Por tudo isso, entendo que esta não é hipótese de censura ao recurso.
APLICAÇÃO DE OFÍCIO DA MULTA.
O art. 18, já na redação anterior conferida pela Lei 8.952, de 13.12.94, confere poderes ao juiz para aplicar de ofício a multa decorrente de litigância de má-fé. O dispositivo legal, ao textualizar que "o juiz … condenará", dá a entender que se trata de imposição ao juiz, mas, na verdade, apenas se lhe concede uma faculdade decisória, incluída em seu poder discricionário. Embora a norma seja cogente e imponha um poder-dever ao juiz, vinculado ao interesse público e à dignidade da justiça, este somente agirá neste sentido quando entender devido, não existindo nada que o obrigue a condenar.
Aliás, é importante sublinhar que a imposição de multa, ex officio, devido ao procedimento temerário e malicioso da parte, não pode se confundir com parcialidade. O só fato de o juiz concluir se tratar de situação de bad faith da parte, cominando a sanção legal, não leva a tal conclusão, conforme julgado do Tribunal gaúcho:
"… LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. NÃO HA NENHUMA IMPARCIALIDADE EM APLICAR A PENA DE LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ DE OFICIO. O JUIZ ATÉ DEVE FAZE-LO PARA QUE O PROCESSO NÃO SE TORNE INSTRUMENTO CONTRARIO A JUSTIÇA, SENDO USADO APENAS PARA PROTELAR, COM MANOBRAS BUROCRÁTICAS E MALICIOSAS, A EFETIVAÇÃO DE DIREITO SUBJETIVO DA PARTE. APELAÇÃO IMPROVIDA." (TARGS – 4ª Câmara Cível – APC n.º. 194003612 – Rel. ARI DARCI WACHHOLZ);
Sem dúvida, não é esse fato que vai macular o princípio isonômico (arts. 125, I, do CPC, e 5º, caput, da CF/88), pois este consiste exatamente em tratar desigualmente os desiguais. No caso, o litigante de má-fé deve ser tratado como tal, sem que isso importe quebra da imparcialidade.
O poder subjetivo de agir de ofício do magistrado, contudo, encontra limites nos princípios constitucionais e nos elementos objetivos traçados pelo ordenamento jurídico, conforme se exporá adiante.
MOTIVAÇÃO DA DECISÃO CONDENATÓRIA.
Em que pese o caráter eminentemente subjetivista que envolve a matéria, ao juiz não é dado aplicar a pena decorrente da litigância de má-fé sem que explicite a motivação desta decisão. E isso decorre logicamente dos mandamentos constitucionais contidos nos arts. 5º, incs. LIV, LV e XXXV; 37, caput, e 93, inc. IX, da Carta Política de 1988, bem como das regras dos arts. 458, inc. II, e 165 do CPC. De fato, em qualquer decisão do Poder Judiciário impõe-se a fundamentação, sob pena de prejuízo à defesa do cidadão-litigante, que não terá meios de saber a causa que motivou a sua condenação e a conseqüente imposição de sanção pelo Estado-juiz. E isso, por certo, acarretaria na vulneração dos princípios do duo process of law, da ampla defesa, da inafastabilidade do controle do Poder Judiciário, da publicidade dos atos administrativos e da motivação.
A Corte Infraconstitucional, mais uma vez, dá aula na interpretação da matéria:
"MULTA PELA INTERPOSIÇÃO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, CONFORME O ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. AO APLICA-LA, CABE AO JULGADORA DEMONSTRAÇÃO ESPECIFICA DE SEU CARÁTER MANIFESTAMENTE PROTELATÓRIO. PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO EM PARTE, E NESTA PARTE PROVIDO, PARA O CANCELAMENTO DA MULTA." (STJ – REsp. n.º. 12833/91-MG – 4ª Turma – Rel. Min. Athos Gusmão Carneiro – DJ 12.2.91, p. 17543);
A lição de Nelson Nery Junior também é muito proveitosa e esclarecedora:
"A motivação da sentença pode ser analisada por vários aspectos que vão desde a necessidade de comunicação judicial, exercício de lógica e atividade intelectual do juiz, até sua submissão, como ato processual, ao estado de direito e às garantias constitucionais estampadas no art. 5º, CF, trazendo consequentemente a exigência de imparcialidade do juiz, a publicidade das decisões judiciais, a legalidade da mesma decisão, passando pelo princípio constitucional da independência jurídica do magistrado, que pode decidir de acordo com sua livre convicção, desde que motive as razões de seu convencimento (princípio do livre convencimento motivado)." .
Nessa análise, o que mais importa em nossa opinião é demonstrar que o juiz tem sim a faculdade discricionária ao analisar a existência ou não de atos de bad faith; tem também a liberdade para fixar quantum debeatur relativo à multa. Porém, essa discricionariedade jamais poderá se traduzir em desvinculação aos princípios norteadores do processo, sob pena de se transformar em arbitrariedade e sujeitar-se a anulação pelos meios ordinários.
O SUBJETIVISMO NA APLICAÇÃO DA PENA.
Sem dúvida, a aplicação de pena de multa, decorrente de litigância de má-fé, sempre esteve, e permanecerá, ligada a uma análise subjetiva pelo magistrado da peculiar situação que se lhe coloca sub examine. Tanto é assim que o STJ, não raro, costuma negar seguimento a recurso especial que verse sobre o tema, com fundamento em sua Súmula n.º. 7 , quando a admissão do mesmo importar no reexame de prova. Nesse sentido os REsp(s) 25.107-6-RS, Rel. Min. Athos Gusmão Carneiro, DJ 16.11.92, e 37.684-0-RJ, Rel. Min. Sálvio de Figueiredo, DJ 23.5.94, p. 12.612.
Todavia, é possível vislumbrar, claramente, os elementos objetivos para a aplicação do instituto.
O primeiro deles, é claro, é o enquadramento da conduta do litigante numa das situações tipificadas nos incisos do art. 17 do CPC. Exemplificando, podemos citar caso em que o STJ deixou de aplicar a pena de multa, para recurso de agravo regimental protelatório, antes da tipificação introduzida pela lei em comento . Nesse sentido também é a lição do processualista Nelson Nery Júnior:
Rol taxativo. As hipóteses de caracterização objetiva de litigância de má-fé, estão arroladas em numerus clausus, taxativamente, na norma ora comentada, não comportando ampliação (Arruda Alvim, CPC, II, 149; Borges, Coment., v. 1, p. 28; Leão, O litigante de má-fé, p. 37). …." .
O segundo, e mais importante, é a causação de um prejuízo à parte adversa, sem o qual não há como apurar o quantum indenizável a que se refere o art. 18 do CPC. Nesse sentido, novamente, a jurisprudência do STJ:
"A conduta temerária em incidente ou ato processual, a par do elemento subjetivo, verificado no dolo ou culpa grave, pressupõe elemento objetivo, consubstanciado no prejuízo causado à parte adversa" (STJ – 1ª Turma – REsp 21.549-7-SP – Rel. Min. Humberto Gomes de Barros – DJ 8.11.93, p. 23.520).
O prejuízo, no caso, refere-se às perdas e danos (CPC, art. 16), que abrangem tanto o dano atual como o dano eminente (CCB, art. 1059). Mais uma vez, concede a lei, ao juiz, a faculdade discricionária de fixar, desde logo, o valor da multa, que, no entanto, não poderá exceder a 1% sobre o valor da causa, conforme a nova redação do art. 18 do CPC, salvo nos casos em que a parte demonstrar prejuízos indenizáveis maiores, em ação de liquidação por arbitramento.
É oportuna e esclarecedora, sobre o tema, a lição de Nelson Nery Júnior, tendo sob comento, ainda, a antiga redação do dispositivo legal enfocado:
"Caso o juiz reconheça a litigância de má-fé, mas não tenha parâmetros para fixar o valor da condenação, deverá fixá-la desde logo, não podendo exceder 20% do valor dado à causa, corrigido monetariamente. Na hipótese de os prejuízos excederem esse limite, o juiz deverá reconhecer a litigância de má-fé (am debeatur) e remeter a apuração do quantum debeatur para a liquidação por arbitramento. Neste último caso o prejudicado deverá demonstrar a extensão do dano na ação de liquidação por arbitramento, que se dará nos mesmos autos.
O limite de 20% sobre o valor da causa, portanto, é para que o juiz possa, de imediato, fixar a indenização. Não significa que não possa haver prejuízo maior do que 20% do valor da causa, pelos atos do litigante malicioso. Havendo prejuízo, qualquer que seja o seu montante, deve ser indenizado integralmente pelo causador do dano. Entender-se o contrário é permitir que, pelo comportamento malicioso da parte, haja lesão a direito de outrem não inteiramente reparável, o que se nos afigura motivo de empobrecimento indevido da parte inocente, escopo que, por certo, não é perseguido pelo direito processual civil"

A CONDENAÇÃO, SUA NATUREZA E O "QUANTUM DEBEATUR".

Como se viu, o Juiz pode condenar o litigante de má-fé de ofício ou através de requerimento da parte, que poderá se dar em qualquer fase processual, não se podendo cogitar jamais de supressão de instância ou de alegação inovatória. É que a conduta reprovável pode ocorrer em qualquer momento processual em que a parte tenha de intervir e, ocorrendo, desafiará a aplicação da pena .
O art. 18, no parágrafo segundo da redação revogada, previa a fixação, pelo juiz, de uma indenização, em quantia não superior a 20% sobre o valor da causa, ou através de liquidação por arbitramento.
A alteração suprimiu os dois parágrafos do art. 18 do CPC e, em sua nova redação, reduz este limite para apenas 1% sobre o valor da causa, a título de multa, mais as perdas e danos que a parte contrária vier a sofrer e os honorários advocatícios e as despesas que tenha efetuado.
Em primeiro lugar, é fundamental notar que a pena de litigância de má-fé não possui mais apenas natureza indenizatória. A atual redação é expressa ao estabelecer que o juiz condenará o litigante de má-fé "a pagar multa". Assim, é evidente que, agora, além da natureza indenizatória, quanto aos danos sofridos pela parte contrária, há também a natureza sancionatória, de penalização, em relação à conduta do improbus litigator.
No que diz respeito ao quantum debeatur, pensamos que a redução do valor teto para 1% sobre o valor da causa foi um erro, que transformará a litigância de má-fé num instituto inócuo. Na maioria das vezes, não temos dúvida, será mais atraente à parte interpor o recurso, mesmo correndo o risco de lhe ser aplicada a multa, levando-se em consideração o seu valor ínfimo e irrisório. Mais recomendável, em nosso modo de ver, teria sido a manutenção do limite anterior (20% sobre o valor da causa), confiando-se na prudência do juiz, ou mesmo a definição de incidência sobre o valor total da condenação, que na maioria das vezes ultrapassa, em muito, o valor dado à causa.
É importante não esquecer, de outra parte, que este limite é para que o juiz possa, de imediato, fixar a multa. Não quer dizer, entretanto, que – em havendo prejuízos maiores- a indenização não possa ser maior. Nessa hipótese, a sua apuração será remetida para a liquidação por arbitramento , na qual se deverá chegar à indenização integral pelos danos causados, em consonância com a idéia de que todo o dano causado deve ser integralmente reparado .
Por fim, note-se que foi mantida a determinação para que o improbus litigator indenize os honorários advocatícios e as demais despesas da parte prejudicada, verbas que deverão ser calculadas sobre o valor total das perdas e danos , obedecendo-se as regras de sucumbência previstas nos arts. 20 e seguintes do CPC.

VERDADEIRO OBJETIVO ALMEJADO PELA ALTERAÇÃO.
Não há como deixar de elogiar a iniciativa legislativa de incluir o recurso manifestamente protelatório entre as situações que ensejam a condenação da parte às conseqüências da pena de litigância de má-fé.. Todavia, não podemos deixar de apontar, desde já, uma perigosa possibilidade que se esconde por detrás desta previsão.
Prima facie, parece-nos que a inovação tem como destinatários principais as Cortes Superiores, abarrotadas por um número de recursos que extrapola todos os limites imagináveis de produção não só dos Ministros julgadores, como também do pessoal de seus quadros. O problema é notório e tem desencadeado urticantes discussões no seio da comunidade jurídica brasileira, na procura de soluções que tornem o procedimento judicial mais ágil e célere, garantindo a efetividade do processo, sem privar o litigante das garantias processuais que lhes são asseguradas.
Restringe-se, pois, nossa crítica, e preocupação maior, na possibilidade, mesmo que remota, de os Tribunais pátrios fazerem uso incorreto do dispositivo sancionador , aplicando penas demasiadas àqueles que pretendam apenas rediscutir questões relevantes à garantia da observância incondicional da cláusula do procedural duo process of law, da qual emanam todas as demais garantias processuais do cidadão-litigante.".
Nestes termos, demonstrado a má-fé do recorrente deve o mesmos ser considerado litigante de má-fé e condenado além da multa a indenizarem o apelado nos danos causados com a demora do pagamento da indenização devida, inclusive multa diária a ser arbitrada por essa Colenda Turma Recursal, bem como as demais despesas e verbas que deverão ser calculadas sobre o valor total das perdas e danos, obedecendo-se as regras de sucumbência previstas nos arts. 20 e seguintes do C.P.CIVIL. Nessa hipótese, a apuração dos danos deverá ser remetida para a liquidação por arbitramento, na qual se deverá chegar à indenização integral pelos danos causados, em consonância com a idéia de que todo o dano causado deve ser integralmente reparado .
"LITIGANTE DE MÁ FÉ – RECURSO – CARÁTER PROTELATÓRIO – CARACTERIZAÇÃO. O caráter procrastinatório do recurso de parte que o interpõe por mero espírito de emulação caracteriza litigância de má-fé, conforme artigo 17 do Código de Processo Civil, impondo-se, portanto a aplicação da pena pecuniária prevista no artigo 18 do mesmo Estatuto." (2º TAC/SP – Ap. s/ Rev. 461.423 – 3ª Câm. – Rel. Juiz MILTON SANSEVERINO – J. 20.8.96);
"A resistência injustificada aos trâmites da lide, retardando indevidamente o pagamento da obrigação, somente caracteriza a litigância de má-fé – art. 17, II e IV, CPC – quando restar, quantum satis comprovada. Tal situação consiste no ato exercido, com apoio na lei, com a única e exclusiva finalidade de protelação ao término do processo" (TJ/SC – Apelação n.º 27.927 – 2ª Câm. – Rel. Des. Volnei Carlin – j. 23.2.88 – JURISPRUDÊNCIA CATARINENSE 29/187);
"Reputa-se litigante de má-fé a parte que se aproveita, maliciosamente, de deficiências processuais para opor resistência injustificada ao andamento dos processos, deixando de proceder, como de seu dever, com lealdade e boa-fé" (TARGS – Apelação n.º 187.869/92 – 2ª Câm. – Rel. Borges da Fonseca – j. 11.2.88, JULGADOS TARGS 65/373);

CONCLUSÃO

Finalizando, requer-se conhecimento da preliminar levantada, decretando-se a litigância de má-fé do apelante, com a conseqüente condenação à multa legal prevista, multa diária enquanto não satisfazer o julgado e a ressarcir os danos sofridos pelo apelado a ser apurado em apuração por liquidação de arbitramento e no mérito não conhecido o recurso.

Por todo o ponderado, o apelado reitera todos os termos anteriormente expedindos, ficando aqueles fazendo parte integrante das presentes contra-razões, esperando uma vez mais dessa sábia e Reta Colenda Turma Recursal que se faça a verdadeira Justiça, mantendo-se inabalável a r. decisão a quo, por ser de toda incensurável.

Justiça é desejo firme e contínuo de dar a cada um o que lhe é devido (Justiniano).

Pede e espera deferimento

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